Como é bom ser uma foca

como sempre, o homem acabando com a alegria da galera. Eis a única coisa chata de ser foca.

Eu queria ser uma foca. Não no sentido jornalístico da coisa, de ser o novato que só se fode em troca de experiência.

A vida de uma foca deve ser uma beleza. Exceto por alguns caçadores chatos, focas são exímias nadadoras  e comem do bom e do melhor. Focas não precisam se preocupar com a calça jeans molhada que você teve que vestir para ir trabalhar, ou com a falta de tempo para poder se dedicar ao que realmente importa.

Focas têm o dia todo para fazer o que quiserem.

Elas falam todas a mesma língua, não se importam com estrangeiras britânicas, japonesas, brasileiras ou argentinas. Vivem em bandos, chegam a ter dois metros de cumprimento e não suam! Não colocam silicone, não precisam ler jornais para mostrar que são espertas e nem dependem de QI para ter sucesso na vida. Repito: como é bom ser uma foca.

Há, claro, ursos polares que gostam de suas carninhas. A Lei da Natureza é irrevogável e não depende de políticos para alterar seus artigos. Fazer o quê. Ser urso também deve ser bom. Hibernar meio ano, caçar, andar pela floresta livre como um passarinho.

Mas no urso há uma estética da violência que não é compatível comigo, por isso, prefiro a bonachona foca.

—–

O título evoca a música “Como é bom ser uma nuvem”, da Ruca

Anúncios
Publicado em O discreto charme da quinta categoria | Marcado com , , , | 5 Comentários

Mondo Pop 80 – Agora é de verdade

Na semana passada, eu tinha anunciado que o Mondo Pop 80 que gravei com o Roberto Vieira e o Rodrigo Knack iria ao ar na quinta-feira, dia 8.

Pois bem, acontece que por um erro técnico o programa não foi ao ar e para você que se lamentou (cof, cof, cof) ter perdido a minha participação (eu arrasei) não ficará mais triste!

O Mondo Pop 80 com a minha participação irá ao ar amanhã! Posso só garantir que quem escutar não vai se arrepender (modéstia).

Então é isso. Amanhã, 22h, no 94,9 para quem é daqui e no site da univali para quem não é.

Não percam!

Publicado em O discreto charme da quinta categoria | Marcado com , , , | 6 Comentários

Eleições

Oi Brasssyyyyyyyl. Como todos os três  leitores fiéis deste espaço devem saber, estou finalmente nos finalmentes da faculdade. Como comentar política é algo que prefiro fazer no trabalho, mantenho este blog a postos para qualquer besteira que estiver passando na minha cabeça.

E eis que li um eeeemayl da caléga da comissão de formatura pedindo pra gente ir escolhendo a trilha sonora que embalará de cada um na hora do we are the champions, my friend  profe chamar a gente pra pegar o canudo (humm, piada infame) na colação.

Enfim, como sou uma eterna indecisa e acho que deveria tocar um cd inteiro por ter sobrevivido a 4 anos e meio de faculdade, preciso que vocês ajudem-me nesta árdua escolha. Vai funcionar assim. Você escuta a músicam néam e faz o seu comentário com a que você escolher.

Que entrem na passarela as candidatas!

– Abba, Dancing Queen

– Cyndi Lauper, Girls Just Wanna Have Fun

– David Bowie, Changes (ch-ch-ch changeees)

– The Beatles, I saw her standing there

– Like a Rolling Stone, Bob Dylan

Prontinho. As opções estão aí. E aí, quem você elimina neste paredão (#bbbfail)

Publicado em O discreto charme da quinta categoria | Marcado com , , , , , , , | 8 Comentários

A arte de se fazer um jornal diário #not

Após um mês de sobrevivência em uma redação não posso dizer que sou um Ricardo Noblat de saias a ponto de querer reeditar aquele famoso livro que todo calouro lê para dizer que já entende um pouco da profissão. Tampouco vou dizer que vou subsituir o Alexandre Garcia e seus comentários escrotos no Bom Dia Brasil, que me despertam a gastrite logo pela manhã ao subestimar a capacidade de compreensão do telespectador.

Mas vou dizer que, apesar dos pesares, tem sido bom. Ainda não senti a tal vibe da política, mas já consigo rir nas sessões da Câmara e falar com esse povo com mais decência. Prefiro bem mais pesquisar vestidos para minha pasta de referências a ligar para o deputado x porque ele falou y sobre o z.

Em conjunto, o ápice da minha carreira consiste na viagem de ida e volta de Itajaí que fiz hoje com Oziel, o motoboy e no “feliz aniversário” de um vereador na sessão da quinta-feira passada. Ele disse que eu sou muito competente.

Não sei como ainda não fiz meu namorado surtar. Bom dia pra você que flerta com estudante de jornalismo. Aprenda que se quiser sossego, não é com ele que você vai ter. Deve ser difícil para quem não é da área conseguir entender horários, rotinas de trabalho e as preocupações de quem pira na notícia. Ensinem-me a fórmula. Agradecida.

Enfim, em um mês de trabalho cometi vários pequenos erros e uma grande cagada (morra de curiosidade). Comemorei meu aniversário com direito a bolo (de puro glacê) dado pela empresa e com uma ronda nos bares em troca de cerveja gratuita. Quem não foi, perdeu. Agora só no ano que vem.

Publicado em O discreto charme da quinta categoria | Marcado com , , , , | 6 Comentários

goodbye 21

Existem idades (e as memórias que virão delas) tão, mas tão, bonitas que eu só penso que não deveria ficar relembrando coisas agora para não perder a graça mais tarde.

Publicado em O discreto charme da quinta categoria | Marcado com , , , , | 3 Comentários

“é apenas uma desculpa para falar de jesus”

Seu Moreno, dono de um disque gás e água em Camboriú não possui mais que 45 anos. Cabelos raspados, olhos esbugalhados em um rosto oval. Usa uma camisa listrada e uma Bíblia sobre o volante do seu corsa sedan verde escuro. É quase meia-noite e a próxima Praiana só deve passar daqui 40 min. Essas horas da noite, com o ponto vazio não dão mais medo. Dão sono, tédio, vontade de chegar logo em casa e dormir.

Mas eis aí que aparece Seu Moreno.

– Por R$2,50 ou um passe de Praiana eu vou até a matriz em Itajaí.

No ponto, apenas eu e mais uma moça. Eu, com uma crise de amidalite e rinite só queria chegar em casa. Ele não parecia nenhum maníaco. Mais um rapaz, barbudo, com uma cara muito familiar, aparece e resolve ir junto. Já conhecia Seu Moreno.

Cem metros adiante, mais um conhecido. “Ô chefe, graças a Deus você tá aqui. Tô cansadaço, acabei de sair do trampo.”

No próximo ponto, o mais jovem dos passageiros, comia um hamburguer e com a boca cheia, sorriu e disse:

– ÎOÔÔ Jeff!!! Que maravilha! Mas não tem problema entrar comendo?

Jeff, ou seu Moreno, diz que não há problema. Eu começo a ter uma crise de espirros. Seu Moreno diz “acho que nossa amiga tá sofrendo com rinite.”  Só comento que é normal.

Mais tarde, próximo a praia brava o moço de barba que estava no banco da frente sai. Passo para o lado de Seu Moreno, que começa a me contar sobre seu trabalho.

Há um mês ele faz diariamente essas viagens, consideradas ilegais para a Praiana, o Detran e quem mais quiser achar errado. Mas, longe de querer roubar todos os passageiros da empresa de ônibus, ele só quer “levar a palavra de Deus”. Cerca de dois meses atrás sofreu uma espécie de avc que só foi curado pelo pastor. Desde então, sentiu que era seu dever sair por aí com seu carro evangelizando, “minhas viagens são apenas uma desculpa para falar de jesus. e eu vou salvar muita gente deste jeito.”

Com jesus ele não me salvou, mas a carona foi melhor que a encomenda. Cerca de 10 minutos depois eu estava em casa, podendo espirrar à vontade.

Publicado em Vida bandida | Marcado com , , , , | 3 Comentários

considerações de um domingo nublado

O dia pode estar nublado, sem chances de ir à praia. Mas o calor aqui é infernal e eu penso seriamente em me jogar em uma caixa d’água para ver se me refresco. Enquanto a caixa não é encontrada, posto no @_ichwill frivolidades sobre o São Paulo Fashion Week. Ao menos um empreguinho eu ainda tenho e o bom é que este eu faço me divertindo.

A vida seria muito mais divertida se ao invés daquela geladeira inútil da Coca perto do Dusky, nós tivéssemos esta nos corredores da univali. Não que eu seja muito fã de Coca, nesses momentos sou mais Policarpo Quaresma e prefiro guaraná, mas vocês haverão de concordar comigo que uma geladeira distribuindo coca seria bem divertido não? Nem era sobre isso que eu ia falar, mas como já fiz aulas de marketing acabei muito impressionada com mais essa estratégia.

Tenho visto muitos filmes, lido livros de certa forma relacionados ao meu TCC. Li Tom Wolfe, Joseph Mitchell, Talese e Capote.  Gênios, meus amigos.  Gênios. Enquanto o Capote escreve com uma soberba que à ele lhe é muito natural, Mitchell escreve como quem pede desculpas, com uma simplicidade bonita e carregada de emoção. Talese é mais contido, mais agarrado às estruturas, mais classudo. Agora o Tom Wolfe parece um moleque. Atrevido, ousado, subversivo. Como se ele não estivesse nem aí para a construção do texto. Mas aí é que está: ele está muito aí para seu texto.

TCC: eis a minha tábua da salvação. Se nada der certo com ele, aí eu mudo de carreira. Até o presente momento estou me divertindo. As viagens com a Praiana sempre rendem para quem sabe prestar atenção no que acontece à sua volta. Acredite, nada melhor que abandonar os fones de ouvido do mp3 para prestar atenção nas conversas alheias. Fica aí a dica.

Publicado em O discreto charme da quinta categoria | Marcado com , , , , , | 6 Comentários