Salvem a cevada!

Na semana passada, uma notícia veiculada no Blog do deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) provocou comoção entre os fãs da cerveja. Isso mesmo. Segundo a nota, uma pesquisa feita na República Tcheca descobriu que o aquecimento global está causando sério comprometimento na qualidade da cevada, em especial a que é utilizada pela cervejaria Largen Pilsen, sediada naquele país.

Se antes o aquecimento global já preocupava o cidadão consciente de suas ações, o fato de a qualidade da cerveja estar comprometida gera uma dor de cabeça a mais àquele que também é um bom companheiro de bar. Aos entendidos do assunto, fica a preocupação de que além de reclamar com o garçom que traz a bebida quente ou com colarinho de mais, ou (de menos) a cevada pode atrapalhar o seu momento de prazer.

Que me perdoem os alcoólatras que passaram da conta e “só por hoje” andam sóbrios. Mas uma cerveja no bar é fundamental. Ao menos para mim, final de semana sem cerveja com os amigos é algo que não existe. Caso contrário é  semelhante a passar a sexta-feira santa sem carne e acompanhando a missa do Padre Marcelo Rossi. É andar numa Praiana lotada de estudantes com os hormônios aflorados rumo ao Tabuleiro. É a exemplificação do Inferno dantesco.

A editora Larousse lançou no mês passado um livro e tanto. Trata-se do “Larousse da Cerveja”, uma espécie de tratado sobre o que há de melhor – e pior – da bebida. Mas a bibliografia sobre o assunto estende-se até ao filósofo grego Aristóteles. Em seus escritos, ele fala sobre a bebida que era consumida “aos potes pelo povo.” O imperador romano Júlio César era fã da bebida, mas os romanos, em geral, preferiam o vinho.

Aos que acreditam que este texto é besteira, vá a um bom bar numa noite de sábado. O local certamente estará cheio de amigos confraternizando, conversando sobre o dia a dia. O bar é um local sagrado, onde, ao contrário das igrejas, todo mundo é feliz e ninguém morre crucificado. Sem nem ter experimentado um gole sequer.

Congratulo a Lei Seca, que apesar de não muito eficaz (o que é eficaz quando tratamos de leis no Brasil?) nos salva do risco de ser atropelado por um insano na rua. Sim, insano. Quem compromete a vida dos outros estando bêbado só pode ser louco. Não custa nada divertir-se sem causar estragos à integridade humana. Se o táxi lhe parece caro, chame os amigos e vá a pé. A garantia é, de ao menos por aqui, boas risadas e nenhum assalto.

Por fim, deixo a prerrogativa: Se o homem, no auge da sua sapiência, conhece a fermentação alcoólica há mais de 10.000 anos, como é que nós vamos renegar tamanha contribuição à espécie? Então, leitores, levantemos a bandeira: Todos contra o aquecimento global! Pelo bem da cerveja no final de semana.

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Sobre Larissa Guerra

Jornalista e aprendiz de cozinheira. E-mail para: larissaguerra[@]uol[.]com[.]br
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2 respostas para Salvem a cevada!

  1. Gustavo disse:

    ih virou jornal agora? notícia de ontem… ahahhahahahahaah

  2. Taísa disse:

    Lembra quando a gente enchia a cara e eu pegava certos Sk8tistas? Aháá, bons tempos.

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