Jabuti e a boa literatura brasileira

o simpático jabuti

o simpático jabuti

A Câmara Brasileira do Livro divulgou no fim da manhã de hoje os vencedores do 51º Prêmio Jabuti. Aos desinformados, o Jabuti é considerado o maior prêmio da literatura brasileira. Já twittei infinitamente sobre os vencedores, mas deixo aqui o link para quem quiser conferir mais tarde: http://is.gd/3MWQz

Como eu já tinha observado aqui, a Companhia das Letras tinha metade dos indicados para melhor romance. Aconteceu que os três premiados da categoria são da editora. Bons autores no catálogo, capricho no projeto gráfico da obra. O problema é o preço que não cabe nos bolsos de uma universitária latino-americana sem dinheiro no bolso, sem parentes importantes como a pessoa que vos escreve.

Mas nem era isso que eu gostaria de ressaltar. Queria dizer é que, com a minha “vasta experiência” de escrava de livraria, atesto que só consegui vender, e por minha insistência de vendedor que quer o bem do cliente, o “Cordilheira”, do Daniel Galera. Miltom Hatoum só foi comprado na livraria porque “Dois Irmãos” era obra exigida em algum vestibular, e do Scliar, só se vendia “A mulher que escreveu a Bíblia” porque a gerente praticamente mandava os clientes lerem.

O leitor brasileiro é um bosta. Explico: O leitor médio brasileiro guia-se, como sujeito bem informado que é, pelas revistas Veja/Época/Istoé ou qualquer outra que ostente uma lista de mais vendidos. Porque afinal,  “se é o mais vendido, é o que há de melhor!” Perdi as contas de quantas vezes sonhei em queimar as listas que tinham de ser atualizadas religiosamente no mural da loja. Desde quando Augusto Cury e seus milhões de exemplares vendidos (devo ter algum problema sério com esse cara) é parâmetro de boa literatura? Qualquer leitor que pense com um pouco mais de sensatez não passa da página 10 de qualquer coisa que ele escreva!

Hoje, passeando pela internet enquanto esperava algum serviço no jornal, acabei lendo a coluna de Luís Antônio Giron,  editor da seção Mente Aberta da ÉPOCA. Um cara que eu imagino que seja esclarecido, aflito por saber por onde anda a boa literatura brasileira?

Claro que há muita porcaria sendo publicada no Brasil. Mas é dever do leitor saber separar o joio do trigo, não? E outra: se há tanta porcaria sendo publicada é porque de certo leitores para comprar a porcaria estão aos montes por aí. É só entrar em qualquer livraria (não só na que trabalhei) para constatar que os leitores procuram livros que não os façam pensar. O leitor brasileiro quer é: autoajuda, romance espírita, chick lit, e raras biografias. Quando Luís resolve voltar-se contra autores que estão se sobressaindo na internet, ele dá um tiro no pé da sua pergunta. Porque, infelizmente, hoje a boa literatura brasileira teve que encontrar refúgio na rede, já que 95% dos leitores resolveram desprezar a estante de literatura nacional. Ou só compraram o livro do Chico Buarque, porque “ah é o Chico Buarque.”

De qualquer forma, se alguma alma iluminada resolver seguir os meus conselhos, “O livro amarelo do terminal” da Vanessa Barbara é um excelente livro (brasileiro) e ganhou o Jabuti de livro-reportagem. E já cansei de falar que vocês têm que ler Daniel Galera. E eles jamais estiveram na lista de mais vendidos.

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Sobre Larissa Guerra

Jornalista e aprendiz de cozinheira. E-mail para: larissaguerra[@]uol[.]com[.]br
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4 respostas para Jabuti e a boa literatura brasileira

  1. Larissa, o buraco é mais embaixo. Realmente as listas de “mais vendidos” têm muitos livros “ruins”, mas há também coisas boas por lá. Saramago sempre fica, Chico Buarque também. Se você estender a coisa para os 20 mais vendidos, dá pra encontrar algumas exceções à regra.

    Se por um lado essas listas fazem com que determinados livros vendam demais e outros muito pouco, por outro ao menos movimentam o mercado, fazem as pessoas se interessarem pelos títulos – e elas acabam comprando pra saber do que se trata, se é bom mesmo etc.

    Livro mais sofisticados ou que exijam um pouco mais do leitor os espantam porque o pessoal quer algo rápido, ágil, fácil. Por isso Augusto Cury, Rubem Alves e Dan Brown vendem tanto.

    Mas a boa literatura brasileira está por aí, mais presente do que nunca. Faz tempo que não leio um autor brasileiro ruim. O negócio é saber escolher, saber filtrar, como você falou, e também procurar outros ares. A nossa literatura contemporânea não é só Hatoum, Marcelino, Scliar, Galera, todos excelentes autores, diga-se. Há muito mais gente nova e de qualidade por aí, vide Sergio Leo, Manoela Sawitzki, Antonio Carlos Viana, Mario Sabino, Ronaldo Correia de Brito, Ruy Espinheira Filho, Jaime Prado Gouvêa, Mayrant Gallo, e por aí vai.

  2. E o Rafael entende do que está falando, visitem o http://www.digestivocultural.com.br e leiam as resenhas dele.

  3. Opa, não sei se entendo não, mas obrigado hehe

  4. mazinho disse:

    não é um comentari mais sim uma duvida
    como saber que o jabuti e macho ou fémia?
    apro veita deixe um recado no meu orkut
    mazinhosospaixao@yahoo.com.br
    bzim chauauau

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