Quando a literatura encontra o fogão

(resenha publicada no Jornal Sênior deste mês.)

Dentre as melhores coisas da vida, e o leitor há de concordar comigo, estão os atos de ler e de comer. Afinal, se um livro pode nos levar para outros lugares, um prato bem feito nos embarca caminho ao paraíso – e quase sempre aos quilos a mais na balança.

Rachel Samstat usou seu poder de apresentadora de programa de culinária para superar a traição do marido, um jornalista famoso americano. De ficção no livro O amor é fogo só os nomes e algumas situações. A autora Norah Ephron quase foi processada pelo ex-marido, o jornalista Carl Bernstein, o mesmo que desvendou o caso Watergate junto com Bob Woodward, e foi imortalizado nas telonas no filme Todos os homens do presidente. Pois é, Bob largou Norah grávida do segundo filho. E ainda cogitava a ideia de casar-se com a amante. O livro, ao invés de ser um conjunto de lamentações da sua falta de sorte com os homens é um retrato engraçadíssimo da vida misturada com comida.

E Norah Ephron é roteirista e diretora da adaptação cinematográfica de Julie & Julia, outro livro que brinca com as panelas. Tudo começa quando a autora Julie Powell autodenominada “funcionária pública frustrada”, viaja para a casa dos pais e encontra o clássico culinário Mastering the Art of French Cooking (A grande arte da cozinha francesa) na despensa da mãe.

Resolve cozinhar todas 524 receitas do livro, que seria o equivalente ao Dona Benta nos Estados Unidos.  A outra Julia do título é a autora, um ícone da cultura americana no último século. Julia Child era uma dama de personalidade ímpar: trabalhou no serviço secreto durante a Segunda Guerra Mundial, e na Ásia conheceu seu marido Paul. Já na morando na França do Pós-Guerra, Julia decide entrar para a mais famosa escola de gastronomia francesa (e do mundo) a Le Cordon Bleu.

Se ela que era um desastre ambulante conseguiu, porque Julie Powell numa cozinha apertada no subúrbio novaiorquino não conseguiria? Julie, ao iniciar seu projeto tem 1 ano pela frente com o livro e uma verdadeira caça aos ingredientes do livro, como na saga para encontrar tutano de boi. Resolve publicar o desafio em um blog e foi daí que ficou conhecida. Premiado em terras gringas, a edição brasileira é bem bonita, como são a maioria dos livros dessa área. Ah, e o filme tem Meryl Streep no elenco, o que já é um bom começo. Estreia dia 21 de agosto no Brasil.

E se o caso é de colocar a mão na massa, destaco o lançamento do chef britânico Jamie Oliver, Revolução na cozinha. A ideia é ótima: mostrar infinitas receitas com o seu passo-a-passo. As ilustrações te ajudam a acompanhar o desenvolvimento do prato. Muito simples. E brilhante. Como ninguém pensou nisso antes?

Apesar do cardápio dos bretões ser um tanto diferente do nosso – eles enlouquecem por ensopados estranhos e os ingredientes usados não são  acessíveis –facilmente encontrados Revolução é uma ótima pedida: serve para quem já é familiarizado com as panelas e para quem pretende aventurar-se em mares nunca dantes navegados.

Jamie levanta a bandeira do movimento “chega de comida pronta” e mostra diversas pessoas que aprenderam a cozinhar com a ajuda de amigos.  Acaba promovendo um resgate do que chamo de “sentimento pela cozinha”. Para cozinhar bem, e estou sendo piegas, é preciso de sentimento, carinho.Tentem provar o contrário.

O amor é fogo

Autora: Nora Ephron

Editora Rocco

Julie & Julia

Autora: Julie Powell

Editora Conrad

Revolução na cozinha

Autor: Jamie Oliver

Editora Globo

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Sobre Larissa Guerra

Jornalista e aprendiz de cozinheira. E-mail para: larissaguerra[@]uol[.]com[.]br
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3 respostas para Quando a literatura encontra o fogão

  1. Gustavo disse:

    Depois de escrever tudo isso você quer me submeter a um regime forçado?!

  2. CAROLINA BRAGA disse:

    Esse seu post me deu uma baita fome! rs
    ai Larissa, tudo o que você gosta, né? Litetura, cinema e culinária! rs show!
    me fez lembrar do filme “A festa de Babette” ;) Muito bom, não?!

    beijos.

  3. Andre disse:

    huuuummm…
    costela gorda… derretendo…
    picanha-neurótica-mal-passada-tipo-carne-quente…
    hummmmm
    comer é tudo de bom.

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