Dia nacional do escritor

O escritor turco Orhan Pamuk discursou na cerimônia do Prêmio Nobel de Literatura em 2007:

“Como sabem, a pergunta que mais fazem a nós escritores, a pergunta predileta, é: por que você escreve? Escrevo porque tenho uma necessidade inata para escrever! Escrevo porque sou incapaz de fazer um trabalho normal, como as outras pessoas. Escrevo porque quero ler livros como os que eu escrevo. Escrevo porque sinto raiva de todos vocês, sinto raiva de todo mundo. Escrevo porque adoro passar o dia sentado à mesa escrevendo. Escrevo porque só consigo participar da vida real quando a modifico. Escrevo porque quero que os outros, todos nós, o mundo inteiro saibam que tipo de vida nós vivemos, e continuamos  a viver, em Istambul, na Turquia. Escrevo porque adoro o cheiro do papel e da tinta. Escrevo porque acredito na literatura, na arte do romance, mais do que qualquer outra coisa.  Escrevo porque é um hábito, uma paixão. Escrevo porque tenho medo de ser esquecido, porque gosto da glória e do interesse que a literatura traz. Escrevo para ficar só.  Talvez escreva porque tenho a esperança de entender por que sinto tanta, tanta raiva de vocês, tanta, tanta raiva de todo mundo. Escrevo porque gosto de ser lido. Escrevo porque depois que começo um romance, um ensaio, uma página sempre quero chegar ao fim. Escrevo porque todo mundo espera que eu escreva. Escrevo porque tenho uma crença infantil na imortalidade das bibliotecas, e na maneira como os meus livros estão dispostos na prateleira. Escrevo porque é animador transformar todas as belezas e riquezas em palavras. Escrevo não para contar uma história, mas para compor uma história. Escrevo porque desejo escapar do presságio de que existe um lugar para onde preciso ir mas ao qual – como num sonho – nunca chego. Escrevo porque jamais conseguirei ser feliz. Escrevo para ser feliz.”

Pamuk, Orhan. A maleta do meu pai. São Paulo: Companhia das Letras, 2007

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Sobre Larissa Guerra

Jornalista e aprendiz de cozinheira. E-mail para: larissaguerra[@]uol[.]com[.]br
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5 respostas para Dia nacional do escritor

  1. Gustavo disse:

    Não entendi qual o sentido da postagem!
    Quando comecei a ler pensei que você escreveria depois a sua opinião sobre o discurso de turco.

  2. Gustavo disse:

    você tá sem moral! ninguém mais comentou…

  3. Andre disse:

    é que a gente tá muito ocupado….
    depois a gente posta!
    beijos filhota!
    te amo!

  4. Analu disse:

    Perceberam as palavras DO TURCO ….
    começa dizendo “..que tem uma necessidade inata de escrever..”
    um escritor polêmico, porém com grande popularidade e vendas de livros… que apesar de ser ameassado de morte ainda termina seü discurso dizendo “… escrevo para ser feliz …
    será que teríamos algo a acrescentar …criticar …questinar ou até mesmo comentar?????????

  5. Andre disse:

    Analu,
    ela sempre foi assim…
    Ela AMA escrever… e sempre foi apaixonada por literatura.
    aquele livro que ela escreveu e tanto desdenha,
    é de uma escrita envolvente, instigante, inebriante…
    e prende o leitor, desde as primeiras linhas, como poucos escritores o fazem.
    (Lendo o livro – em primeiríssima mão – cheguei a sentir o frio das manhãs de inverno de Lages no rosto e nas mãos…
    essa minina escreve bem pra xuxu…
    ainda vamos ouvir muito falar dela!

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