Retrospectiva 2010

O ano já começou e teve toda aquela coisa de fogos de artifício, sete pulinhos no mar, cidra barata e tudo o que a gente tem direito para pensar que terá um pouco mais de sorte no período que está vindo.

Essa postagem não é uma reanimação do blog. Mas, como já tinha comentado, vou aparecer de vez em quando aqui para postar algumas matérias feitas por esta que vos escreve e publicadas no Diário da Cidade que, por algum motivo especial, eu gostei de fazer.

Hoje, as cinco primeiras:

eleições@candidatos.comeleições@candidatos.com parte 2

Por que eu gostei: Essa pauta surgiu depois que uma porrada de candidatos começaram a me seguir no twitter. Não que eles estivessem interessados no que eu escrevia, nem que eles estivessem realmente participando da rede, mas mais para mostrar que eles também poderiam encher muito a nossa paciência durante a campanha pela internet.

Assim, procurei o professor Eduardo Guerini. A matéria seria primeiramente somente uma entrevista. Mas o buraco era mais fundo e eu acabei me empolgando.

A difícil tarefa de escolher o candidato

Por que foi legal? Porque política não é só candidato, não é só o que acontece no poder público. Defendo muito a ideia de que a editoria de política também tem a obrigação de mostrar o que o eleitorado pensa, e por isso, a matéria com os jovens que iam votar pela primeira vez.

Sem a obrigação de votar, idosos querem distância da política

Da mesma série “gente como a gente” na editoria. Só que dessa vez, fui a um bingo da terceira idade em Balneário Camboriú. Foi bastante divertida fazer essa matéria. E isso que nem fiquei para a jogatina.

Serra no Gideões

Essa matéria nem ficou grandes coisas, mas para mim ela tem um sentido bastante especial. Foi a primeira vez que eu cobri um evento com um grandão da política, dividi espaço com 300 repórteres de outros veículos e descobri que as doações dos fiéis poderiam ser parceladas no cartão de crédito.

Uma campanha para esquecer

Por fim, essa reportagem nasceu da crescente indignação geral da galera pelos pontos que estavam sendo debatidos à exaustão durante a campanha. Mais do que um balanço do que marcou a campanha, fica a lição para que as próximas campanhas tentem ao menos serem mais maduras.

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So this is goodbye

E assim, eu chego ao fim deste blog.

Sem sofrimento, sem choradeira. Sejamos sinceros: há muito eu não tenho me dedicado direito a este espaço e, sim, por vários motivos que são alheios aos outros bilhões de habitantes deste planeta. Dentre as razões, a mais forte é que este Enfant Terrible já cumpriu seus propósitos de ser o canto onde eu podia relatar as mazelas da vida de uma estudante de jornalismo que fui.

O que farei com este blog? Apaguei boa parte das postagens. Só ficam as que eu julgo interessantes. Depois, colocarei ocasionalmente coisas que tenho escrito no jornal. Mais adiante, tenho planos de disponibilizar para download o meu “Não fale com o motorista”, diagramado de um jeito mais bonito, sem aquela sisudez estabelecida durante a faculdade.

No mais, a vida vai bem. E de vez em quando, apareçam no Fashion Voto.

The end.

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Bandeiras, bandeiras

Vou contar para vocês que uma das melhores coisas de ser repórter é poder encontrar pautas legais onde aparentemente não haveria nada além do banal de eleições. Na última sexta-feira, durante a caminhada dos candidatos da coligação “As pessoas em primeiro lugar” no centro de Itajaí, eu e o repórter Maurício Daleffe resolvemos conversar com as pessoas que trabalham nas campanhas. Acabei fazendo uma matéria à parte, que saiu na edição do último fim de semana do Diário da Cidade.

Não é porque fui eu que fiz, mas se eu fosse você, clicava no link logo abaixo para conferir.

Trabalho na campanha: por amor ao candidato ou para pagar as contas

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Luz na passarela que lá vem ela…

Olha eu aqui fazendo um merchand para meus feitos online!

Como é de conhecimento geral da nação, eu gosto de moda. E trabalhando com política, vi que o mundo fashion não vive só de passarelas e modelos raquíticas. Dito isto, decidi lançar nesta campanha (rá, vibe de candidatos), um tumblr.

Parafraseando o grande Tiririca “Você sabe pra quê serve o Tumblr? Não sabe? Nem eu, mas se você clicar lá vai ver que eu tô descobrindo o que é”. Então, coleguinha, anota aí:

www.fashionvoto.tumblr.com

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Excelentíssimos

Para brindar (rá!) o começo do horário eleitoral gratuito, decidi hoje fazer um adendo sobre os tipos de candidatos que aparecerão na televisão, mas que você invariavelmente dará um bocejo de preguiça em pensar que terá que escolher um.

Posso ser muito nova ainda na área, mas não sou boba. A fila de candidatos que aparece diariamente na redação me credencia a personificá-los:

Há aquele tipo de candidato que vem do Cu do Judas pedir voto na outra ponta do estado; tem o  candidato que acha que a classe política é vítima da população, tem o candidato bola-de-fogo – ele pode não ter razão, mas tudo o que ele fala é polêmica.

Tem o iniciante, que diante de uma questão um pouco mais complexa, olha para a sua colinha e murmura “meu Deus, o que eu vou dizer agora?”. Tem o muito experiente, que diante da declaração de ter R$ 200 mil guardado no colchão, solta um risinho de desprezo e diz que “gosta mesmo é de ter dinheiro”. Tem aqueles que te chamam de “meu anjo”, “minha linda” ao telefone. E os que chegam falando no celular, para provar que são caras realmente ocupados e que só estão ali para te fazer um favor.

Tem aqueles que diante de uma informação, negam até a morte, mas para prevenir, a confirmam para outro jornalista de renome. Há sempre um que foge de você como se você fosse o filho do capeta. Vade retro. Olhe para aquele outro, com a mão no saco enquanto fala com você. Não vomite, finja naturalidade e vá adiante.

Tem um que te paga cerveja no bar e talvez depois fique pensando que comprou um jornalista. Tudo tem um preço nessa vida, e se é pra me comprar em cerveja, que traga então um barril. Tem o que te olha de cima a baixo, teme seus tênis sujos. Tem o que te reconhece pela cidade onde nasceu, o que tá puto com o mundo e resolve disparar contra o gravador, o que fala palavrão, acusa adversários de serem “donos de puteiros” e ingenuinamente pensa que nada será publicado.

Há tipos ainda piores: que usam fiéis e regilião como cabos eleitorais. Os que mal sabem ler, mas andam de carro importado. Os que te pedem votos antes de dizer bom dia. Os que usam sua origem “simples e humilde” para comover o eleitor.

E ainda querem saber em quem eu vou votar…

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O assessor – há que se ter o know-how da fé e do marketing

Enquanto o pastor esbraveja pelos alto-falantes que o “anjo do senhor vai limpar e fazer chu-chu-chu na humanidade”, um homem está sentado displicentemente ao lado de sua barraca, prestando mais atenção na quantidade de pessoas à sua volta do que nas pregações que vêm do ginásio.  Usando um microfone dourado com a destreza e a experiência de um Roberto Carlos, Marquinhos anuncia que o novo disco da estrela Elias Silva, “A tua presença”, chegou “fresquinho, fresquinho” de São Paulo e está à venda por R$ 15. Preço especial de lançamento.

Quem passa pela principal rua do centro de Camboriú, cidade bucólica de 58 mil habitantes em Santa Catarina, parece hipnotizado pela voz pacificadora que vem do rapaz. Em instantes, o local está cheio e as três atendentes atrapalham-se atrás do balcão improvisado com um compensado e uma lona alaranjada para dar conta de todos os pedidos. Há praticamente toda a discografia de Elias exposta ali, além dos DVDs com os shows que faz pelo país sendo exibidos em uma televisão de LCD.

Ainda chamando o povo para conferir “o disco mais esperado do momento”, Marquinhos está feliz, admirando o resultado de seu trabalho. Seus olhos azuis e a pele morena combinam bem com a camiseta azul-piscina berrante que veste, com a devida impressão da capa do CD de Elias estampada. É assessor há oito anos e sente que está numa fase boa de sua carreira. É cumprimentado por muitos, tem bons contatos e conhece “praticamente todo mundo que está no mercado”.

Apesar de nunca ter frequentado uma faculdade, o assessor prova ser um mestre das lições de marketing, aprendidas na base da observação e da intuição. Só no encontro dos Gideões, evento realizado pela Assembleia de Deus anualmente na cidade, diz ter investido R$ 8 mil em revistas, anúncios e todo o tipo de propaganda que pudesse reverter em mais CDs vendidos. Deu certo. Em menos de um dia de trabalho, recupera o montante com folga.

Marquinhos e a música gospel ignoram o poder das grandes gravadoras. Nesse ramo, a maioria dos cantores atua independente de selos, agentes e comissões. Há algo de podre no reino das gigantes. “As comissões são mínimas, o cantor praticamente paga para trabalhar para a gravadora, é uma relação muito complicada”. Em tempos de downloads, aqui a tendência é entrar no jogo por conta própria.

Nas ruas laterais da praça, dezenas de barracas demonstram que a independência torna o mercado gospel muito mais competitivo. Iniciantes e quase famosos amontoam-se em palcos com menos de dois metros quadrados, iluminados por algumas lâmpadas incandescentes. Os pôsteres estão colados por toda a parte. Folhetos são distribuídos, outros assessores são vistos por todos os cantos. As músicas são de ritmos variados. Alguns tocam acordeão, outros violões e uns mais intimistas fazem versões à capela. Os que possuem algum sucesso preferem caminhões-palco, pagos em parceria com colegas de profissão. Ali, luzes coloridas e toda a pompa que o evento merece.

Ele passeia tirando seus dois celulares dos bolsos a cada cinco minutos. A cidade está apinhada de fiéis, que rezam diariamente das 07h30min às 22h no ginásio municipal e na sede da igreja, local onde fica um segundo estande do cantor, menor, com apenas dois funcionários.

Junto às orações, sobrevive um mercado de produtos nitidamente feitos em Taiwan. Há ainda aqueles sempre apetitosos quitutes de quermesses e muito lixo no chão. Podem ser tementes a Deus, mas a consciência ecológica passa longe de suas vidas.

Com uma estimativa de receber cerca de 170 mil evangélicos por ano, o encontro movimenta também uma área nem tão próxima da religiosidade. Bendito seja o visionário – ou o marqueteiro – que se dá conta que onde há tanta gente, há muitos eleitores. Nesta edição, a surpresa ficou por conta da aparição de quatro pré-candidatos ao governo do estado, do atual governador, Leonel Pavan e do tucano José Serra, apresentado à plateia como futuro presidente do Brasil. Sem falar nos deputados, vereadores e prefeitos que lotaram o palco.

Ignorando a maciça presença política, o assessor controla todas as atividades do cantor. É onipresente. Conhece os funcionários da equipe pelo nome, sabe quais serão os próximos shows do assessorado. Para passar os dez dias de evento, alugou uma casa que divide com os nove colegas que se revezam nas barracas e na organização da rotina de Elias. Recebe ele próprio durante as madrugadas o caminhão que traz de São Paulo mais cópias dos discos que vão se esgotando ao longo do dia. Não possui mais que 30 anos e esbanja vontade de continuar viajando pelo Brasil com seu cliente. Acha Camboriú um charme, mas possui terreno em Maringá, no Paraná, e outro no interior de São Paulo.

Nos alto-falantes, o pastor agora pronuncia sons incompreensíveis, seguidos dos gritos de aleluias dos fiéis. Ao fim do Gideões, Marquinhos pretende descansar. Em Balneário Camboriú, a vizinha famosa pelas praias e pela vida noturna agitada. Apesar dos menos de seis quilômetros que separam uma cidade da outra, Marquinhos nunca atravessou a BR-101. Depois, quer ir a Itapema, logo ali ao lado, que também não conhece “porque não dá tempo”, mas sabe que suas praias são ainda mais bonitas. E reflete, com o sorriso pacificador de sempre, que se na bíblia consta que até Deus descansou um dia, nada mais natural que o assessor também possa fazê-lo.

da época do Gideões, restou este texto. Tentei publicar por aí, mas não foi dessa vez.

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cliques: 1º de maio

Não sou fotógrafa. Mas cobrindo a inauguração da 5ª avenida e o Gideões neste feriado de sábado, em Balneário Camboriú e Camboriú, resolvi levar a minha humilde câmera para constatar que nem só de política e fé se fazem eventos como esses. Não quero adiantar muitas coisas, mas digo apenas que só quem viu o que eu vi ontem acreditará.

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