Arquivado em: O discreto charme da quinta categoria | Tags: calcinha, cyndi lauper, girls just wanna have fun
Uma das maiores tristezas da minha vida é saber que, aos 15 anos, lá nos idos de Lages, deixei de comprar uma calcinha linda. Dizia “girls just wanna have fun” em rosa.
Cyndi, te amo.
Arquivado em: O discreto charme da quinta categoria | Tags: axé music, uísque a go go
Você vê que a vida é bela naquelas horas em que você, suando 30 litros por segundo, depara-se com o cantor da banda pedindo para todo mundo dançar a coreô de Macarena sem medo de ser feliz. Esses momentos, dignos de vídeos no youtube deveriam ser considerado o ápice da evolução humana. O problema é que após várias doses de uísque não há mais civilidade alguma na terra. Você amarra o vestido, acaba com o penteado e se joga na pista. Mãozinha pra cima, desce até o chão, certeza que vovó me deserdaria se precenciasse tal cena. Todos os livrinhos de etiqueta da infância desprezados por um axé music qualquer.
Não mais postarei com frequência, principalmente porque roubar a wireless do vizinho é uma droga. O sinal é fraco, o wordpress não carrega direito. Esse povo deveria ter uma internet power, assim poupava um grande esforço da minha parte. Completo 1 semana de cobertura política no jornal, ao menos consigo diferenciar PT de DEM(o) e sigo a vida dessa maneira. Eu sempre caguei e andei para políticos, principalmente porque como neta de João Guerra, acompanhava o Jornal Nacional com berros de CORJA DE SAFADOS ao fundo. Agora, quem te viu quem te vê. Sou bem mais falar de moda e andar de praiana.
Há três coisas que eu preciso aprender com urgência: dirigir, conviver bem com meus óculos e perceber antes de cair que entre o carro e o chão há uns bons 30 cm que podem causar escoriações no joelho. Sério, esse negócio de cair de joelhos está ficando chato. Pode ser engraçado, mas não é legal.
Arquivado em: O discreto charme da quinta categoria | Tags: aniversário, jornalismo, tcc, trabalho
- é sensacional o gosto do primeiro dia de trabalho. ainda mais quando ele vem com carteira assinada, na função “auxiliar de reportagem”.
- falta 1 mês para o meu aniversário. Nada de ruim acontece até lá. Egocentrismos à parte, não há melhor dia do ano que o meu aniversário. Estou falando sério.
- tô virando a BFF (best friend forever) dos motoristas e cobradores da Praiana.
Arquivado em: O discreto charme da quinta categoria | Tags: gay talese, joseph mitchell, livros, são paulo fashion week, tom wolfe, truman capote
O dia pode estar nublado, sem chances de ir à praia. Mas o calor aqui é infernal e eu penso seriamente em me jogar em uma caixa d’água para ver se me refresco. Enquanto a caixa não é encontrada, posto no @_ichwill frivolidades sobre o São Paulo Fashion Week. Ao menos um empreguinho eu ainda tenho e o bom é que este eu faço me divertindo.
A vida seria muito mais divertida se ao invés daquela geladeira inútil da Coca perto do Dusky, nós tivéssemos esta nos corredores da univali. Não que eu seja muito fã de Coca, nesses momentos sou mais Policarpo Quaresma e prefiro guaraná, mas vocês haverão de concordar comigo que uma geladeira distribuindo coca seria bem divertido não? Nem era sobre isso que eu ia falar, mas como já fiz aulas de marketing acabei muito impressionada com mais essa estratégia.
Tenho visto muitos filmes, lido livros de certa forma relacionados ao meu TCC. Li Tom Wolfe, Joseph Mitchell, Talese e Capote. Gênios, meus amigos. Gênios. Enquanto o Capote escreve com uma soberba que à ele lhe é muito natural, Mitchell escreve como quem pede desculpas, com uma simplicidade bonita e carregada de emoção. Talese é mais contido, mais agarrado às estruturas, mais classudo. Agora o Tom Wolfe parece um moleque. Atrevido, ousado, subversivo. Como se ele não estivesse nem aí para a construção do texto. Mas aí é que está: ele está muito aí para seu texto.
TCC: eis a minha tábua da salvação. Se nada der certo com ele, aí eu mudo de carreira. Até o presente momento estou me divertindo. As viagens com a Praiana sempre rendem para quem sabe prestar atenção no que acontece à sua volta. Acredite, nada melhor que abandonar os fones de ouvido do mp3 para prestar atenção nas conversas alheias. Fica aí a dica.
Arquivado em: Vida bandida | Tags: balneário camboriú, emprego jornalismo, moradia estudante, tcc
- Procura-se emprego para jornalista/estagiária na região de Itajaí, Balneário Camboriú e Blumenau. Trabalho para assessorias de imprensa, jornais, revistas, sites, rádios, tevês, e o que mais precisar fazer. Sei cozinhar, fotografar e me viro com programas de computador. Sou insuportável de tão pontual, falo um inglês digno de 3 anos de curso em Lages. A única coisa que peço é que me paguem. Pode ser pouco, mas paguem.
- Procura-se moça direita para dividir apartamento durante a temporada estudantil em Balneário Camboriú. O apartamento não é lá um castelo de luxo e glamour, mas há um quarto para cada moradora e um banheiro também. Peço apenas que a candidata seja organizada, não goste de música sertaneja nem pagode, não frequente a Woods e não veja o Programa do Ratinho.
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2010 é praticamente um livro em branco. TCC a produzir, emprego a conseguir, roomate para morar. Pois é. Estaca zero.
Arquivado em: O discreto charme da quinta categoria | Tags: capital nacional do turismo rural, drogas nem morto, lages, São Francisco do Sul, turismo
Antes que alguém resolva chamar a polícia para registrar meu desaparecimento, aviso que estou viva. Não é fácil a vida de pobre estudante desempregada quando a Univali fecha meu bem, mas a gente faz o que pode. Primeiro, porque nunca antes na história deste país eu tinha tirado férias de verdade e agora que tirei não quero mais saber de voltar à realidade.
Estou com planos de acumular milhas de viagem na Catarinense e de antecipar meu presente de aniversário dando para mim mesma um ingresso para o show da Beyoncé em Floripa. Amiga, me aguarda. Estive em Lages e aquele buraco continua a mesma coisa, exceto pela diferença que muitas conhecidas estão grávidas e muitos conhecidos viciados em crack. Essa triste realidade lageana me leva a pensar que eu dei certo na vida então, visto que não pretendo ter filhos tão cedo e detesto drogas. O que ainda é divertido na cidade é o fato que a cerveja continua barata por lá, e restam alguns amigos que garantem a diversão. Uma coisa é muito certa: Lages, só a passeio. E não mais que 4 dias.
A segunda etapa do plano de milhagem da Catarinense foi uma viagem a São Francisco do Sul agendada às pressas com o namorado. Reveilão batendo na porta, muita gente em Balneário, vou fazer o quê? Ser servida no café da manhã, no almoço e no jantar para os mosquitos da região. Coleciono muitas feridas, mas me diverti horrores. Protagonizei feitos esportivos, coisa que não fazia desde 1995. Sobrevivi.
Na quarta-feira, embarco para mais uma jornada, desta vez inédita. Aguardem que na semana que vem conto mais. hahaha
Analu: meu colar chegou, mas veio arrebentado. Vou trocar a corrente por aqui mesmo e depois te conto como ficou. Preciso do seu endereço. Ciça também.
Depois, quando digo que tenho além do meu pai e do Gustavo, outros três leitores fiéis, vocês chiam. Devido ao sucesso fracasso que foi a promo de Natal deste ano, tivemos apenas 3 inscritas!
Eis as respostas:
- Cecília Nery, São Paulo/SP
Gosto de Dostoiévski, mas não li Noites Brancas, assim ganhá-lo seria bastante propício.
Quanto ao Os amantes, a sua leitura me iniciaria no universo de Marguerite Duras.
- Marina Melz, SC
Porque quem tem @larissaguerra como amiga precisa ler os dois livros / Porque Crepúsculo é para os fracos.
- Analu Rodrigues, SP
simplesmente mereço ganhar pq um livro é o melhor Presente / Passado e Futuro que alguém pode receber de PRESENTE.
Como eu sou muito generosa, decidi que ao invés de abrir para votação (desconfio que ninguém ia votar) resolvi presentear as três! Ana, Cecília e Marina, enviem-me seus endereços para o e-mail. Uma vai ganhar o Noites, a outra Os Amantes e a terceira um livro que ainda vou decidir.
No mais, estou de férias.
Arquivado em: Livros lidos e saboreados. | Tags: natal, noites brancas, os amantes, promoção
A pobreza pode ter tomado conta da minha vida, mas graças a um dos chefes que num ato de extrema bondade me pagou, a Promoção de Natal 2009 do Enfant Terrible está no ar! Sei que a coisa por aqui é simples, mas quem não adoraria ter em sua biblioteca um Dostoievski para chamar de seu? Pois é, pois é. Um passeio no sebo rendeu a compra de uma edição de Noites Brancas para sortear aqui. E tem mais: eu não poderia deixar de sortear um dos livros que mais gostei de ter lido neste ano: Os amantes, de Marguerite Duras. É assunto para um próximo post, mas 2009 certamente foi o ano em que eu descobri algumas mulheres que escrevem muito bem. (sou machista nesses aspectos).
Antes que eu prolongue demais este post, vou explicar as regras: você, que quer participar, mande um e-mail para: larissaguerra41@gmail.com e em 140 caracteres (#twitterfacts) me dê uma boa razão para ganhar esses presentes. As duas melhores respostas serão publicadas aqui no dia 20, para apreciação e votação dos leitores. Caso haja empate, vai um livro para cada um. Não vale dizer que eu sou linda, nem que meu blog é o melhor. hahaha. E já adianto que meu pai e o Gustavo não podem participar. Seria injusto com os demais candidatos. O resultado da promo sai dia 25 de dezembro, para comemorar a data, sabe como é. As despesas com frete ficam por minha conta.
Arquivado em: O discreto charme da quinta categoria | Tags: atlântico shopping, balneário camboriú, natal, papai noel
O ritual termina no dia 25 de dezembro. Depois das entregas matinais, ele chega em casa decidido a romper com o personagem que interpreta no mês de dezembro. Vai ao banheiro, toma banho. Em seguida, corta os cabelos e a barba longa descolorida. E volta a ser Vitório Smaniotto Neto.
No final do ano, Vitório, 38 anos, assume a posição de Papai Noel em um dos shoppings de Balneário Camboriú. E ninguém aposta que ele tem menos que 50 anos, devido à indumentária bem elaborada de bom velhinho. Há quatro anos ele está lá sentado no trono rubro, soberano. Há dezessete, cumpre este papel no comércio da cidade. “No começo foi meio que brincadeira, e eu tinha vergonha. Com os anos foi ficando mais fácil.”
“Uns anos mais tarde que eu já era Papai Noel, comecei a notar que os enfeites natalinos sempre traziam um Noel instrumentista”. Resultado: Vitório comprou um acordeon, aprendeu a tocar Jingle Bells e outras tantas canções típicas da época. A música parece animar as crianças e os visitantes do shopping. Os lojistas, ou não percebem mais, ou têm pesadelos à noite com a música que ecoa nas suas cabeças.
Sempre que aparece alguém disposto a conversar com ele, Vitório recorre ao saco vermelho que fica ao seu lado e enche suas mãos de balas e pirulitos. As crianças adoram. Com toda a paciência que a profissão exige, Noel tira fotos, conversa, faz as perguntas clássicas: Você foi um bom menino? O que você quer ganhar do Papai Noel? Tem boa memória, lembra dos nomes das crianças, que são inúmeras. E dá suas voltas pelo shopping com seu acordeon nas mãos.
Este ano, além do acordeon, contratou um “duende oficial”, Oromar Miranda de Rodrigues (Anão), “420 anos”, diverte-se e forma uma dupla e tanto com Vitório. Os outros Noéis da cidade são menos experientes no ramo. Foi Vitório quem deu algumas dicas para um deles e, solidário, arrumou emprego para outro. “É uma troca de informações na verdade. Aqui não existem cursos que formem um Papai Noel. Só em Gramado.”
Vitório também é um “Papai Noel particular”. Participa das festas de final de ano de empresas, hospitais, igrejas e de algumas famílias também, que contratam seus serviços para a noite do dia 24. Não se sabe quantos reais entram no bolso de Noel/Vitório nessa época do ano, mas ele garante que é uma boa ajuda ao seu negócio de aluguel de brinquedos para festas infantis, que toca junto com a esposa durante o restante dos meses.
Quando Vitório chega a casa na véspera de Natal, seus três filhos ainda estão acordados, à espera dos seus presentes. Depois ele conta que até pouco tempo atrás a filha do meio, Nicole, acreditava que ele realmente era o Papai Noel. E que ele apenas se disfarça de gente comum durante o resto do ano para fiscalizar se as crianças estão sendo obedientes e estudiosas.
Ao cortar os cabelos e a barba na tarde do dia 25, Vitório deixa para trás aquele espírito que o alimenta de alegria durante um mês inteiro. Mas é por pouco tempo. A preparação para ser Papai Noel no próximo ano começa ali mesmo. “Eu vou ficando cabeludo e barbudo de novo, aí em novembro, eu começo a pintar para que fique tudo branquinho. E assim é há tanto tempo, que quem me vê na rua sem barba até se assusta”.
*matéria publicada na edição de dezembro do Jornal Sênior. Esperou mais de um ano para sair, e só “nasceu” porque Larissa Tietjen deu aquela ajuda básica.
Eu tenho os melhores amigos do mundo. O melhor namorado. As melhores irmãs, e os melhores leitores de blog. Vá lá, meus pais também são os melhores. Eu trabalho mais que a escrava Isaura, luto contra a minha desorganização crônica e vou ao mesmo bar todos os sábados. Sou uma pessoa normal.
O que está além da minha compreensão é a capacidade que eu tenho para entrar em negócios duvidosos, que em 99,9% dos casos acabam mal para o meu lado. Entenda: tenho três empregos, só que nenhum me paga. Nesses quatro meses de seguro-desemprego, tive a sorte de receber apenas 480,00 de um dos meus feitores. Sim, feitores. Porque até onde me ensinaram, quem trabalha de graça é escravo.
São nessas horas de extremo desespero que eu começo a refletir sobre a grande merda que fiz saindo de Lages. Isso. Porque caso eu estivesse lá, estaria despreocupadamente trabalhando em alguma …….(loja/escritório/empresa), provavelmente me formando em administração/direito, bebendo de graça nos finais de semana às custas das minhas tias. Eu estaria feliz, com dinheiro no bolso e com um pouco de sorte, viajando para o litoral nos finais de ano.
O que eu fiz hoje? Deveria terminar trezentas matérias para um dos empregos, mas preferi me cadastrar em uma agência. Não, não estou indo rumo à prostituição, negócio que, aliás, deve ser bem rentável nessas épocas. Vou voltar ao comércio, ao trabalho aos domingos, a carteira assinada em troca de um salário no quinto dia útil. Quanto ao jornalismo, cada dia é mais certo que eu estou no caminho errado.

